A terapia com o gás ozônio vem se mostrando eficiente, como elemento principal ou adjuvante, na cicatrização de ferimentos de origens diversas, bem como, no tratamento de inflamações e infecções microbianas.

No presente trabalho, relata-se o caso de um canino submetido à cirurgia ortopédica devido a uma fratura completa de tíbia e fíbula com retardamento da consolidação óssea, tratado com ozônio, com objetivo de reduzir a dor local e inflamação e a possibilidade do ozônio auxiliar na consolidação óssea.

Após cinco semanas de tratamento houve melhora do quadro inflamatório e doloroso além da consolidação das fraturas. Tal aspecto indica que a ozonioterapia pode ser eficaz também no auxílio da formação de calo ósseo.

 

Mariara C.S.Dias; Cristiane L. de Toledo; Iolanda Bettencourt; Renata N. Serafim; Roberta P. G.Golob
Médica Veterinária na ReabiVet – Medicina Preventiva e Reabilitação Animal
Autora para correspondência :diasmariara@gmail.com

 

Histórico

Foi atendido pela equipe da Clínica ReabiVet, um cão macho da raça Blue Heeler com 2 (dois) anos de idade, com histórico de fratura completa de tíbia e fíbula de membro pélvico esquerdo resultante de um atropelamento.

A estabilização cirúrgica foi realizada 3 ( três) dias após o trauma. Após 15 (quinze) dias do procedimento, realizou um exame radiológico e constatou-se não consolidação óssea local. Devido à essa constatação, optou-se pela troca do implante 25 ( vinte cinco) dias após a primeira cirurgia. Passado 35  ( trinta e cinco) dias após a segunda cirurgia ,um novo exame radiológico foi realizado, onde também foi constatado ausência de formação de calo ósseo.

 

Tratamento e Evolução

Iniciou-se o tratamento com ozônio após 80 dias da fratura. O tratamento foi realizado em intervalos semanais ,durante 5 semanas seguidas, onde foram realizadas as seguintes vias de aplicação e doses: aplicação de 15 mcg em 40mL em pontos próximos à área cirúrgica, aplicado por via subcutânea e ao fixador externo, insuflação intraretal 13mcg em 90mL e autoterapia menor 44mcg em 2,5 mL por via intramuscular, as dosagens e concentração do gás ozônio utilizado foram calculados de acordo com protocolos de Bocci (2009).

A melhora do animal foi observada após a segunda aplicação de ozônio, de acordo com exame clínico, ocorreu melhora do quadro de dor e redução da inflamação local. Após a terceira sessão o animal se manteve estável, sem alterações aparentes do quadro clínico e ainda sema apoio do membro afetado.

Nos dias seguintes após a quarta aplicação, o animal apresentou melhora do quadro clínico, sem dor à palpação e sem inflamação, começou a apoiar o membro em pinça no chão. Desse modo, foi possível a retirada do fixador externo. Após a quinta sessão constatou-se que o animal já apoiava totalmente o membro e descarregava todo seu peso, sem nenhum sinal de dor ou inflamação de acordo com o exame de palpação. Por esse motivo ,o animal obteve alta.

 

Discussão

As fraturas de tíbia são relativamente comuns e geralmente são associadas às fraturas de fíbula. Normalmente o tempo de formação do calo ósseo tem início 5 (cinco) dias após a lesão, contudo para ser visível no exame radiológico necessita de 10-12 dias para começar adquirir a mineralização.

Nos casos de fratura o tratamento cirúrgico é o indicado e a técnica dependerá da correta localização da lesão e do tipo de fratura.

A ozonioterapia vem sendo utilizada em diversas enfermidades, como infeções bacterianas, fúngicas, ósseas e feridas infectadas devido a suas propriedades antimicrobianas. As vias de administração dependem de cada paciente e tipo de lesão a ser tratada.

O objetivo desse presente trabalho foi avaliar a possibilidade do ozônio auxiliar na consolidação óssea, além de proporcionar a diminuição da dor, inflamação e infecção local. Os resultados obtidos com o tratamento proposto no presente trabalho evidenciaram uma modulação da inflamação e dor nas regiões adjacentes ao fixador externo.

 

Considerações finais

O processo de reagudização do ambiente da fratura ocorrida pela aplicação do ozônio local, oxigenação e liberação de fatores de crescimento, são pontos importantes a serem observados como contribuição do tratamento, portando aparentemente o uso da ozônio interferiu de maneira positiva para formação de calo ósseo.                                               Contudo, estudos específicos sobre a relação da aplicação do gás ozônio e a consolidação de fraturas ósseas a partir de um grande número de animais devem ser efetuados a fim de validar essa hipótese, assim como ajustes de dosagens e protocolos poderão ser melhor identificados e utilizados a fim de promover uma eficiência maior na terapia com ozônio.

 

Referências Bibliográficas

BOCCI, V. Ozone a new medical drug. 2 ed. Siena: Springer.

FOSSUM,T.W.,Hedlund,C.S.,Johnson,A.L., Schulz,K.S.,Seim,H.B.Willard,M.D;et al. Cirurgia de Pequenos Animais, Brasil.

PIERMATTEI, D.L. Manual de Ortopedia e Tratamento das fraturas dos Pequenos Animais. 3 ed. São Paulo.

REMÉDIOS, A. Bone and Bone healing. Vte Clin North Am Small Anim Pract.

SLATTER, D. Manual de Cirurgia de Pequenos Animais, 2 ed.São Paulo.

SUNNER, Gererd. Ozone in medicine: Overview nad future directions. Journal of Advancement n Medicine, New York.

VALACCHI, G;Bocci;V, Studies on biological effects of ozone. Release factors from human endotelial cells. Mediators of Inflammation.

VIRALINDO, M.C; Andreazzi, M.A; Fernandez V.S. Considerações sobre o Uso da Ozonioterapia na Clínica Veterinária  ( Anais Eletrônicos , 2013, Brasil)

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